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David Wineland se diz “espantado” com Nobel de Física

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  • O americano David Wineland, que recebeu o Nobel de Física de 2012 ao lado do francês Serge Haroche, se declarou nesta terça-feira “espantado” com o prêmio, mas não totalmente surpreso com a distinção, que poderia ter ido para muitos outros físicos.

    “A maior parte dos pesquisadores sabe que seu nome é citado e, neste sentido, não foi uma surpresa total, mas o Nobel poderia ter sido entregue a muitos outros” físicos, declarou Wineland em entrevista à AFP.

    “Fiquei espantado com o que ocorreu”, admitiu o físico, 68 anos, reconhecido pela academia sueca por seu trabalho de ótica quântica que poderá revolucionar a potência de cálculo dos computadores e criar relógios de precisão extrema, com grande aplicação para a navegação por satélite.

    Wineland, que trabalha desde 1975 no Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia, órgão de pesquisa do governo americano, revelou que teve uma conversa rápida, por telefone, com Serge Haroche, do Collège de France.

    O físico lembrou que é amigo de Haroche há muitos anos e que geralmente discutem seus respectivos trabalhos. “Algo bom é que nossos sistemas (de pesquisa) são, em muitos sentidos, complementares e jamais fomos concorrentes diretos”. “Podemos abordar um problema similar, mas em um contexto diferente”.

    “Ainda estamos longe de um computador quântico útil, mas acredito que somos muitos os que acreditam em sua aparição no longo prazo”, declarou. “Não estou certo de que isto ocorrerá na próxima década, mas acabaremos por aplicar princípios quânticos para criar um computador com aplicação prática”.

    “Isto será algo importante. Atualmente, diante de numerosos problemas na física e em outras áreas científicas, estamos limitados pela potência de cálculo dos computadores convencionais”, destacou Wineland.

    Diante do potencial do computador quântico, a pesquisa recebe uma verba significativa do governo americano. “Estamos atualmente em uma posição bastante confortável”, admitiu o físico em relação ao contexto de restrições orçamentárias.

    Wineland, que recebeu a notícia do prêmio ao ser despertado por sua mulher às 03h30 desta terça-feira, concluiu a entrevista lembrando que “muitos pesquisadores trabalham neste campo” nos Estados Unidos e no resto do mundo.

    O nome de Wineland está associado a uma longa lista de avanços técnicos, como a utilização de lasers para esfriar os íons perto de zero absoluto (-273,15 ºC), uma experiência realizada pela primeira vez em 1978, no âmbito de testes de laboratório sobre as teorias quânticas.

    Doutor em física pela prestigiada Universidade de Harvard, Wineland fazia parte da equipe de cientistas que isolaram, pela primeira vez, um elétron em 1973 e que passaram a ser os pais da informática quântica.

    Os trabalhos de Wineland já foram recompensados em várias ocasiões pela Sociedade Americana de Física, ganharam a Medalha Nacional das Ciências em 2008 e, dois anos mais tarde, receberam a medalha Benjamin Franklin no domínio da física.

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    USP pesquisa molécula capaz de reverter morte de células cerebrais

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  • A ação da molécula bradicinina – liberada pelo organismo humano em resposta a vários tipos de estímulos – vem sendo estudada por pesquisadores do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) para descobrir novas abordagens para o mal de Parkinson e o derrame cerebral isquêmico. O uso da substância foi capaz de reverter a morte de células cerebrais.

    O grupo de cientistas coordenado pelo professor Alexander Henning Ulrich, em colaboração com pesquisadores de Porto Rico, investiga a aplicação da bradicinina no resgate de células da morte programada, chamada de apoptose. A lesão primária e a morte celular são processos ocasionados pela ausência de oxigênio nas células. Isso ocorre com o entupimento – tecnicamente chamado de oclusão – de um vaso do cérebro, o que gera o derrame cerebral isquêmico.

    O cientista explica que, em casos como esses, a bradicinina é capaz de reverter a morte dos neurônios induzida pela excessiva ativação de receptores de glutamato. A bradicinina está presente no plasma e é produzida por quase todos os tecidos do organismo humano, tendo ação anti-hipertensiva e controladora da pressão sanguínea.

    De acordo com Henning, quando os neurônios morrem, liberam substâncias tóxicas que atingem as células vizinhas. Devido às grandes concentrações dessas substâncias, como por exemplo de glutamato, os receptores das células vizinhas são ativados de uma forma não controlada. “Como resultado, concentrações muito altas de cálcio são atingidas dentro da célula. Esse cálcio induz um programa de morte celular nessas células e, assim, aumenta o foco da lesão”.

    Segundo Henning, o estudo está em fase experimental e os resultados foram obtidos por meio de ensaios in vitro. “Ainda não fizemos testes em animais. Esse será o próximo passo, para mostrar se a bradicinina tem efeito protetor também no animal”.

    O desafio dos pesquisadores, agora, é verificar se substâncias com ações parecidas à bradicinina também protegem neurônios contra a apoptose. Isso é importante porque os efeitos colaterais dos subprodutos resultantes da degradação da bradicinina são muito danosos, indo desde a indução de inflamação até anulação do próprio efeito promovido pela substância.

    Além dos estudos feitos em modelos in vitro para o tratamento da isquemia, a bradicinina foi testada em animais contra o mal de Parkinson. O trabalho tem sido feito em parceira com a professora Telma Tiemi Schwindt, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP. Após sete dias da indução do Parkinson em ratos, por meio de injeção de uma substância tóxica que mata os neurônios e mimetiza a doença, os cientistas injetaram a bradicinina. Segundo Ulrich, depois de 56 dias, houve reversão dos problemas motores na maioria dos roedores.

    Todas as descobertas promovidas pela pesquisa podem, no futuro, levar ao desenvolvimento de novos medicamentos para o tratamento do derrame cerebral e de doenças neurodegenerativas. No entanto, não há previsão de quando isso pode ocorrer. “Vamos primeiro conhecer melhor a função da bradicinina em doenças neurodegenerativas, como o Parkinson”, disse o pesquisador.

     

    Fonte: Agência Brasil